— É lindo, não?
— Eu sempre quis ver o mar. E, agora que tô vendo, não sei muito bem o que dizer.
— Por que você acha que precisa dizer alguma coisa?
— Parece o certo, não? Não deveria ser assim quando realizamos um sonho?
— Mas é um sonho seu? Ou você só se deixou levar?
— E lá tem como saber? Quer dizer... no fundo, não é assim que são construídos todos os sonhos? Como eu poderia sonhar com algo que eu nunca vi ou ouvi falar? Seria como pedir um paulista pra imaginar o gosto de pão de queijo de verdade.
— Mas se você só ouviu falar, não é como viver o sonho de outra pessoa?
— E a imaginação não conta?
— Não.
— Uai, mas eu vivi aquilo na minha cabeça.
— E parece com o que você imaginou?
— Não.
— Por quê?
— Sei lá... Sempre imaginei que fosse mais parecido com uma água de cachoeira.
— E não é?
— E na cachoeira tem sal?
— E isso importa?
— Não deveria?
— Talvez... Mas pelo menos você tem que concordar que é lindo.
— É... Ou melhor, é bonito. É lindo não.



